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 A Primeira Consulta


Era manhã de novembro, mais precisamente dia 22. Consulta marcada para as 11h, mas a mamãe e todo desespero que lhe é característico, nos fez sair de casa às 8h da manhã. Pois, segundo ela, seria ordem de chegada.

E lá chegando, como eu suspeitava, não era ordem de chegada coisa nenhuma. A mamãe nos fez chegar quase 2h antes e tomar um chá de cadeira esperando o tio Josafat nos atender. 

Foram duas horas que pareciam 5, e logo quando chegava nossa fez, tia Andreza, secretária do tio Josafat, nos pediu para aguardar mais um pouco, ocorreu uma emergência e ele teve que sair, e nós, degustamos mais um ‘gole de chá’.

Não demorou muito, já fomos chamados e entramos no consultório. A expectativa não poderia ser maior, era um misto de aflição, alegria, e ansiedade.

E então, através das ondas sonoras e do auge dos seus imensos 78mm, nos deparamos com você pela primeira vez. Foi ali que percebemos que, até então, a nossa vida, apesar de linda e cheia de esperança, nunca esteve completa como estava agora.

Foi ouvir as batidas aceleradas do seu coraçãozinho, que a nossa ficha caiu. Você estava ali, ainda tão pequena, mas tão enorme em nossas vidas e que mudou tudo por aqui e continua mudando.

Mamãe me olhava com os olhos lacrimejados apertando forte minha mão, enquanto eu filmava você na telinha para mostrar para toda nossa família, todos ansiosos para te ver.

Saindo do consultório, a mamãe no ápice da adrenalina comprou uma sacola de laranja enorme (ela nem é tão fã assim). Ainda jurou para o moço que vendeu que se não estivesse docinho ele teria que se ver com ela (jamais duvide disso).

Chegamos em casa já era de tarde, aliviados e felizes por te ver pela primeira vez. Mas, jamais saberemos se as laranjas estavam doces. Pois nem eu e nem sua mãe fizemos suco ou chupamos sequer alguma daquelas laranjas. Pelo menos o rapaz não teve que se ver com a mamãe, para a sorte dele.

 





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